sábado, 20 de novembro de 2010

Dia do consciente...


Por mais estranho que soe, mas não leva a nada ter um dia assim voltado ao consciente...
Aqui dentro, dentro das linhas, pode até caber as inúmeras falas resgatadas por repóteres, cronistas, poetas e gente má que nem lê, sobre o que hoje significa.
Belas culturas? A arte e a literatura? Os preconceitos? Os abusos e diferenças ainda visíveis? Bem, um tanto quanto promíscuo afirmar que hoje é um dia especial. Sério!
Como o dia de tantos mártires pode ser especial? Como se pode comemorar o dia da consciência, se esta ainda fala aos cochichos para os mais surdos ouvidos da sociedade?
Manifesta-se a cultura, mas que a dança ainda vingue pelas ladeiras do ser, pois por onde a consciência ainda não impera, morre-se o de pele preta de fome e de frio e, enquanto somos mídias, fingimos de cego para o descartar de sonhos que levam multidões ao matadouro da falta de ajuda.
Não há, senhores e senhoras, traição maior do que se abster da realidade. A cultura merece sim ser festejada, mas não em doses industriais. Quanto ao nascer do sol da liberdade, bem que se poderia encontrar dentro dos olhos perdidos da crianas famintas uma dose de consciência corrompida. A quimera de todos nós, de nosso tempos ainda, é a indiferença e esta ainda se alimenta de pecados enterrados por nós, mas nunca mortos. Feliz consciência, quem sabe...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Brisa e Beethoven


O dia terminou como de costume... Ao som de Beethoven.
E as mazelas se vão nos últimos acordes da sinfonia. Por onde quer que eu ande, ainda consigo ouvir um pouco de Beethoven pelas ruas. Aos prantos, aos montes, acordes soltos da melodia feita de cimento e cal da cidade que cresce.
Cresce, por si mesma, em meio a lama-politicalha assombrosa (contudo, não sujemos o texto e voltemos a Beethoven). Sim, claro, além dos prédios dominantes, ainda ressoa o eco das melodiosas tardes de novembro, quando o verão começa a se render a brisa mais suave e fresca vinda do leste que tenta, a duras penas, ganhar as vielas e transpassar janelas, atravessar corpos em movimento e fios de alta-tensão. O que importa é a brisa, pois nunca se pararam para se ver no meio da brisa que fervilham folham mortas por cima de nossas cabeças? Que o dia finde, então.
O dia que finda trouxe o tédio de tantos outros. Veio a ilusão do bom senso, mas não sobrou luz de entendimento em canto algum, pois, como é de costume, fugiram-se os diferenciadores, deixando-nos a mercê das incalculáveis mazelas da irresponsabilidade cívica (ou o que valha!). Sociedade que não sente a brisa, não se sente por si mesma. Definitivamente, enquanto soava Beethoven nos meus alto-falantes, a rua rugia sons guturais, de quem manda e de quem obedece. Por tantas vezes calado foi o vento da tarde quente que ecoava pelas ruas vazias dos domingos da cidade.
Mas o que cresce no seio da cidade-mãe é a revolta contra a passividade moderada dos "filhos deste solo". De prantos em prantos, revoltas caladas no meio da noite, a brisa novembrina começa a dissipar e o que sobra ainda é inferno aos olhos dos outros. Portos a parte, o navio renova a marcha oceânica em busca de poesia (que ainda não é tudo que necessitamos!), pois de tudo que é concreto, a alma ainda prevalece.
O dia renasce como de costume... Ao som de Beethoven...

domingo, 14 de novembro de 2010

Puro improvável.

A cada dia que passa, o mais improvável se repete.
Invariavelmente, somos todos abduzidos pela mídia, em busca de ar, em busca de tédio ou de qualquer distração insensata que nos faça olhar para a cara do outro e dizer: "vou dormir..." e abrir aquele bocão de "'tô nem aí". Simplesemente, improvável. A rotina é improvável.
Espaço...
Somos os que ainda se remexem na lama do comum e achamos tudo tão bonito. A vitória da Dilma, o menino que viu um gato na árvore... Um bebê. Somos o comum do bom senso e o desuso do alvorecer. Farto, sim, esse cronista que vos fala, está. Quando as teclas me parecem mudas, não há bem o que se tirar delas, mesmo que a batemos com toda nossa força e o "f" fique preso e se repita tantas vezes. Crônica é o que se fala no dia, certo? Mas o dia é tão improvável que fica difícil falar do que não se pode ver. Há ainda algo, de certo, por trás das linhas da televisão ou nas ondas do rádio, mas, confesso, não posso ver assim com essa claridade toda.
Comumente acordo, tomo café (aqui, acolá: não é uma prática usual minha, que o diga minha mulher), assisto tv quando estou em casa (isso é: nunca.). Enfim, o que se há de bom na rotina senão o que é improvável. Prove-me que há vida além da rotina...
Última linha dessa crônica e ainda não vi algo de bom. Talvez ser escritor é ser assim: procurar, só depois, um sentido para tudo que se escreve. Há quem o ache antes mesmo de escrever. Mas, não espere que esse cronista que vos fala, coloque lenha na fogueira das vaidades com coisas usuais e domínio público. A mídia está aí, e a opinião pública também.
Seja o que Deus quiser... Se assim for, ateísmo a parte (de alguns leitores) seja o que quer o acaso.
Na dúvida, liguem...

Crônica à brasileira.


Ao sinal:
- Ei, me dá um real aí, tio?
- Não tenho mais nada, o mercantil foi caro, moleque...
- Ô, tio... Dá aí, pra eu comer...
- Sai do meio se não tu morre, moleque!
Ao bodegueiro:
- Ei, me dá um biscoito aí, tio?
- Depende: tem real aí?
- Tem não, senhor... Me dá aí, só um...
- Traz um real que te dou um pacote...
- Tem não, senhor...
- O biscoito 'tá caro, menino, até pra eu comprar!
Ao restaurante:
- Ei, dá um pedacinho aí, tio?
- Ô, moleque, sobrou não, veio pouquinho: 'tava caro...
- Mas dá só o molho, já engana...
- Sobrou não, moleque... Sai logo ou o garçon te enxota...
Ao comício:
- Ei, tio, me dá...
- Se afasta, moleque, deixa o dr. governador passar...
- Espera, diz moleque...
- Ei, tio, vê se dá um desconto no imposto pra sobrar esmola e comida pra eu...
Fim da crônica à brasileira...

Originalmente publicado no site "Recanto das Letras" em 5 de maio de 2 mil e 10,
qualquer vínculo com a polítca é mera coincidência...

sábado, 13 de novembro de 2010

Fitei o tempo.


Pois é, quanto tempo falta para o dia terminar? Quanto falta pro jogo acabar e pro grito de "é campeão"?. Nem me fale, qualquer realidade dessas é tão imprópria de sobreavisos que, ao entardecer das coisas, simplesmente não existe mais nada de comum. E quanto ao grito de "é campeão" (naturalmente, entre aspas para se parecer além-texto), só se dá quando o apito encerra a partida ou o baggio da vez manda a bola além mar. (Migué a parte!) Caros acionistas do tempo, quando resolvemos ver a vida nas minúncias das coisas, estamos apenas olhando para onde elas residem de verdade... E danem-se políticas e politicalhas, simplesmente viver o mais breve possível não resolve.
O parágrafo seguinte tende a ser o mais inóspito possível de eventuais catástrofes diárias.
Aquém do dia, sejamos por mais vezes os abolicionistas das ideias fajutas: não escravizemos a ignorância, daremos à esta senhora as nossas doses de idiotices, os menores salários e formas mais oblíquas de corrupção, para depois nos livraramos dela como sempre fazemos de primavera em primavera. Além de tudo, quem não é mesmo um abolicionista da liberdade? Todos nós, engarrafados no mundo capitalistas, desejamos o mais do que podemos ter... (Dane-se!). Poesia não é tudo e dinheiro também não. Corremos o tanto que nossas perdas podem correr, demos o mais e melhor de nós mesmos e hoje estamos velhos. Por tudo isso, quando o alguém que nunca esperamos nos ver sentados à beira da calçada olhando a rua e perguntar o que estamos a fazer, apenas diremos: "fito o tempo".
É o fim... Belo dia a todos.