domingo, 6 de fevereiro de 2011

Nuança tecnológica


É díficil compreender o invisível. Contudo, para vê-lo, basta uma olhada dentro de si. As mesmas e fatigadas retinas ainda se desmontam pela busca incessante pelo inevitável encontro com o aquilo que não se faz visto pela visão (pela razão?).
Numa busca frenética pelo poder, pelo ser e pelo estar, o homem moderno incubiu a si mesmo o progresso, o ignorar as minúcias do invisível e o desrepeitar os limites deste. O metron foi transpassado pela tecnológica espada de dois gumes empunhada pelo indivíduo moderno e terceiro-milenar.
Os dias são relances de dias que passam por nossas retinas. Todos os dias são todos os dias de novo. Nada mais a frente, nada além do que já sabe, pois, quando o destino não dá mais as cartas, os deuses viram homens e estes viram lembranças. Por quanto, o que há de singular em viver um dia que não se baseia na incerteza (ou, até mesmo, na certeza)? E, falando em certeza, onde ela reside? No imaginário popular? A semântica da certeza é coisa sem significado, pois a própria palavra ainda é vazia por ser cheia de dúvidas. A incerteza provém da pergunta, mas, o caminho da pergunta e da dúvida está impedido pelo relance diário das mesmas ilusões - trabalho, família, carro, mídia... - onde há tempo para a dúvida quando não há tempo? O que além da semântica da incerteza é o mero acaso. O acaso de se ver preso por uma rotina tortuosa e bruscamente alienada por verossímeis imagens.
Por hora, as retinas, agora ofuscadas pelo lado obscuro da certeza vã, dados arremessados pela maratona ufanista e vil dos anos de wireless, silício e kevlar do século XXI, se detem a olhar um mundo cosmopolita em certos aspectos. Contudo, como é difícil ver pelo mundo aberto, ainda é difícil compreender o invisível.